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Que medidas restam ao BCE para impulsionar a economia da Zona Euro

O BCE encontra-se a cumprir o programa de Quantitative Easying (QE) Europeu com a compra de dívida pública dos paízes da Zona Euro (com excepção da Grécia) e ainda de empresas privadas com rating elegível acima de lixo. Para além disso existem linhas de crédito do BCE destinada aos bancos com taxas de juro negativas, ou seja o BCE paga para emprestar.

O programa de compra de dívida do BCE tem ajudado os países da Zona Euro a financiarem-se a juros baixos. E alguns países até conseguem obter juros negativos, ou seja recebem em vez de pagarem para emitirem dívida soberana. No caso de compra de dívida de empresas privadas, em Portugal só se aplica a três empresas.

Ao colocar as taxas de juro de referência em terreno negativo o BCE tornou o dinheiro mais barato. Mas também com esta medida os bancos são obrigados a pagar caso queiram estacionar o capital no Banco Central Europeu. É uma forma expedita de levar os mesmos bancos a canalizarem o dinheiro para a economia em vez de procurarem obter juros no banco central.

Esta medida tem prejudicado aforradores, fundos de pensões e os próprios bancos comerciais com taxas de depósitos em níveis mínimos históricos. Muitas vozes críticas se têm levantado às taxas de juro Euribor negativas. Não se sabe ainda qual o impacto no médio prazo desta medida.

Brexit e o ponto sem retorno

A libra recua para valores de 1985. Ingleses perdem poder de compra face ao euro e dólar e viajar de Londres para a União Europeia ficou mais caro. Fundo inglês bloqueia produtos financeiros e investidores ficam impossibilitados de mexer no capital devido a um excessivo número de solicitações. Estes são apenas alguns reflexos imediatos do Brexit.

Muitos ingleses pretendiam um segundo referendo, argumentando que o voto foi inconsciente, mas tal poderá não acontecer como já referiu a Comissão Europeia. O caminho está traçado. Muito provavelmente a recessão irá atingir o Reino Unido e as exportações que têm como destino as ilhas britânicas vão sentir um impacto. As economias muito expostas ao turismo britânico também podem ser afectadas.

Ao contrário do que se pensa um segundo referendo em vez de corrigir o erro pode ter um efeito ainda mais penoso já que se o resultado desse novamente em Brexit então aí em vez de estarmos perante um "até já", os britânicos fechariam a porta com estrondo à União Europeia.

Brexit e o day after

A vitória do Brexit trouxe mais dúvidas do que certezas aos mercados quanto ao futuro das economias do Reino Unido e da União Europeia. A decisão vai ter impacto em todas as economias mundiais. Basta ver o choque sentido nas bolsas de todo o mundo e na queda imediata do petróleo.

Cenário 1 - Cameron brincou com o fogo e queimou-se

Diz-se que as bolsa antecipam a economia e curiosamente o índice inglês foi o que menos caiu. Será isto um sinal? As bolsas francesa, alemã, espanhola e portuguesa caíram a dobrar ou mais. No caso do Ibex o tombo foi de 12%, o pior desempenho de sempre da bolsa espanhola, também à espera do resultado das eleições. Há dois cenários conclusivos a retirar do referendo à saída britânica da UE.

O primeiro ministro inglês e o seu partido ousaram desafiar a rigidez das políticas da UE. Cameron mostrou que não é homem de ter medo e apostou no referendo à permanência na UE como forma de ultimato a Bruxelas. Cameron apostou todas as fichas no referendo tendo com "seguro de vida" a ideia de que a maioria dos britânicos jamais iriam querer abandonar a UE. Uma jogada de risco com uma arma de arremesso pesada.

Só que a jogada de poker saiu furada. Cameron brincou com o fogo e queimou-se. A aposta foi alta e a brincadeira pode ter saído cara ao país e ao resto do mundo. O primeiro ministro inglês nunca imaginou que o Brexit pudesse, um dia, tornar-se realidade. Como dizia um cantor tem cuidado com aquilo que desejas porque um dia pode tornar-se realidade. E talvez o partido de Cameron nunca tenha pesado bem as consequências económicas de uma vitória do Brexit. Muito provavelmente nunca existiu um plano B para a vitória do Brexit tal era a confiança no Bremain. Se tal for verdade a convocatória do referendo foi uma autêntica infantilidade.

Nem no pior cenário Cameron pensou numa vitória do Brexit. Quando as sondagens começaram a mostrar uma vitória inesperada do Brexit Cameron começou a sentir-se encurralado e aprisionado pelo seu próprio feitiço. O tiro saiu pela culatra e será difícil imaginar quais serão as consequências económicas e financeiras para o Reino Unido. Cameron corre o risco de ficar na história como o homem que conduziu a economia britânica à ruína com uma simples "brincadeira". As consequências políticas foram imediatas com a demissão de Cameron. Quem com ferro mata com ferro morre.

E não foi só Cameron que brincou com o fogo. Muitos eleitores britânicos mostraram-se arrependidos após terem votado no Brexit já que não pensaram que haveria implicações económicas. A queda da libra para valores registados há 30 anos mostra que os britânicos perderam no imediato poder de compra face ao euro. Os empresários britânicos que apostaram no Brexit podem ter votado na ruína dos seus próprios negócios. Uma certa inconsciência e ignorância reinou no referendo acabando por atirar muitos britânicos para dificuldades financeiras até antes inexistentes. Muitos britânicos pensaram, erradamente, que isto era apenas um referendo contra os imigrantes e Bruxelas.

Cenário 2 - E se a decisão do Brexit conduzir o Reino Unido ao crescimento económico?

É possível que o Reino Unido enfrente dificuldades financeiras no curto e médio prazo, mas o Brexit pode trazer um segundo cenário não desprezável. A saída da UE pode fazer com que a economia britânica ganhe um novo impulso. Isto seria um mau sinal para a UE e obrigaria Bruxelas a rever as suas políticas. O sucesso económico do Reino Unido após o Brexit será um claro sinal de derrota para os defensores da austeridade europeia. Os argumentos de Merkel cairão por terra. E com isto abre-se uma caixa de pandora já que outros países poderão querer seguir o mesmo rumo. E candidatos não faltam. O primeiro será a Grécia, o maior fustigado com as imposições políticas europeias de austeridade que já vai no terceiro resgate.

Quanto às agências de rating, estranhamente permanecem em silêncio sem "atacarem" o rating de Inglaterra e não proferem qualquer comentário relativamente ao Brexit.

Brexit e agora?

Vitória do Bexit atira Reino Unido para fora da União Europeia. Como consequência política imediata o primeiro ministro David Cameron demitiu-se. E os mercados vão entrar numa zona desconhecida. Ninguém sabe as reais consequências financeiras, mas há estudos que apontam para uma queda da economia mundial.

Qual o impacto do Brexit nas outras economias?

O Reino Unido é um importante mercado para as exportações nacionais. Veremos se o Reino Unido vai enfrentar uma tempestade financeira ou se consegue sair deste problema. O Brexit veio na pior altura, precisamente quando a Zona Euro recuperava lentamente. Se sair de forma vitoriosa outros países, como a Grécia, poderão ser tentados a seguir o mesmo caminho.

Mas não é certo qual será o efeito económico desta decisão. É uma porta nova que se abriu e as incertezas são muitas. A inflação pode disparar no Reino Unido, os emigrantes poderão começar a sentir dificuldades. Por outro lado os britânicos deixarão de estar reféns das leis europeias mas haverá um período de transição. E a FED provavelmente irá adiar a subida dos juros para ver no que dá este novo cenário.

Previsões de Primavera da CE com análise em baixa para a economia na ZE

A Comissão Europeia reviu em baixa previsões de crescimento para a Zona Euro. A retoma económica na Zona Euro está a ser mais lenta. O PIB na ZE cresceu 1,7% em 2015 e a revisão em baixa sinaliza um abrandamento para este ano em termos homólogos.

Anteriores previsões

2016: 1,7%
2017: 1,9%

Novas previsões

2016: 1,6% (corresponde a um abrandamento face ao período homólogo)
2017: 1,8%

Na nota de análise a CE alerta para "riscos consideráveis" no horizonte e admite que esta nova análise é algo optimista o que pode implicar nova revisão em baixa. Os riscos assinalados prendem-se com factores como:

• abrandamento do crescimento dos mercados emergentes, em particular da China;
• tensões geopolíticas;
• instabilidade dos mercados financeiros pode travar o desempenho da economia europeia;
• mudanças abruptas nos preços do petróleo;
• riscos consideráveis relacionados com a evolução da situação interna da UE, como por exemplo aqueles associados ao ritmo da implementação das reformas estruturais e a incerteza em torno do referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União;
• os efeitos dos estímulos do BCE podem começar a esbater-se, à medida que os preços do petróleo voltem a aumentar.

FMI e BCE prevêm abrandamento da economia

O FMI reviu em baixa o crescimento da economia mundial de 3,5% para 3,1% este ano e de 3,8% para 3,6% em 2016. Os emergentes são uma das causas para esta revisão com Brasil a afundar e China a arrefecer.
A queda dos preços das matérias-primas tem pressionado as economias produtores de crude. Por outro lado a aproximação da subida da taxa de juro da FED irá sentir-se.

Por outro lado o BCE antevê um ritmo de crescimento na Zona Euro ainda mais lento com a taxa de inflacção em terreno negativo.

BRICs em modo de arrefecimento

As economias dos BRICs estão a arrefecer e já levou a que tenham sido retirados um bilião de dólares dos mercados emergentes. A eminente subida das taxas de juro da FED, ao que tudo indica já em Setembro, poderá "congelar" ainda mais os BRICs.

A Rússia continua o caminho descendente após o embargo aplicado pelos EUA e UE. O Brasil está em recessão com o PIB a cair e a China, o grande motor dos BRICs, está a dar sinais de abrandamento. As medidas do governo de desvalorizar a moeda chinesa deram o alerta quanto à veracidade dos dados económicos.

As exportações chinesas estão a diminuir, tal como o consumo interno, que prejudicará as exportações europeias para este mercado. As matérias primas, o ouro e o petróleo continuam em queda com a procura a diminuir. A saída de capitais das 19 maiores economias emergentes segue este movimento de arrefecimento nos BRICs.

Se o fluxo de capitais acaba por prejudicar os emergentes, a valorização do dólar e a subida dos juros da FED vai castigar ainda mais estas economias.

Os 5 maiores riscos para a economia mundial por Thomas Hirst (2015)

O economista Thomas Hirst traçou os principais riscos para a economia mundial num futuro próximo:

1 - Subida das taxas de juro das yelds

As taxas de juro das obrigações estão em mínimos históricos, pelo que uma mudança de comportamento nos mercados pode acontecer.

2 - Fim das taxas de juro baixas

O anúncio da FED de voltar a subir a taxa de juro, depois de 6 anos em queda, pode levar outros bancos centrais a seguirem o mesmo caminho. A mudança de capitais dos emergentes para o ocidente é um cenário.

3 - Valorização do dólar

A valorização excessiva do dólar pode colocar alguma pressão na economia americana. Pelo lado inverso verifica-se o perigo de uma desvalorização excessiva do euro. A existência de moedas principais demasiado fortes e outras demasiado fracas acarretam problemas, apesar de ter alguns benefícios.

4 - Recuperação lenta da crise

Depois da crise do subprime americano a recuperação económica mundial tem sido lenta. Com excepção dos emergentes, EUA é o único grande bloco a crescer com números aceitáveis.

5 - Abrandamento do PIB na China

Apesar de manter-se em crescimento, o PIB da China tem vindo a abrandar o seu ritmo. O motor asiático está a perder gás.

Mas há outros riscos ainda. Por exemplo a taxa de inflacção na Zona Euro voltou a recuar no último mês. Depois de ter saído de zona negativa o índice volta a mostrar que a tendência ainda não foi definitivamente invertida. O programa de estímulos do BCE pode não estar a surtir o efeito desejado por Draghi?

Oráculo de Omaha fala sobre a situação da Grécia

O investidor de sucesso Warren Buffett, mais conhecido como o oráculo de Omaha falou na CNBC sobre a situação da Grécia e refere que caso aconteça a saída deste país do euro "pode não ser uma coisa má" de todo. Adianta que a Zona Euro poderá sair até reforçada.

O próprio BCE já iniciou um estudo para avaliar os impactos de uma eventual saída da Grécia, isto mesmo apesar de Draghi ter afirmado que fará tudo para manter o país helénico.

Buffet diz mesmo que a saída da Grécia seria uma forma de fazer ver que as regras do tratado orçamental "significam alguma coisa" e "são para levar a sério".

No entanto a manutenção da Grécia no euro não pode ser encarada apenas do ponto de vista económico como dá a entender Buffet. É que a Grécia tem uma importância geo-estratégica, nomeadamente através da Nato. A Rússia seria a primeira a aproveitar-se da saída, algo que a Alemanha e os EUA não viriam com bons olhos.

E é este trunfo importante que tem permitido à Grécia fazer um certo finca pé com a Comissão Europeia, procurando negociar os seus interesses.

A Economia como ciência experimental?

É sabido que a Economia, ao contrário de outras ciências, não é nem nunca será uma ciência exacta. É feita de estatísticas e números sobre os mais variados assuntos e comportamentos sociais e humanos. Baseia-se em dados passados para tirar ilações posteriores e estabelecer analogias. Ou seja formula teorias para o futuro tendo como base resultados obtidos no passado. O problema são as inúmeras variáveis difíceis de controlar e/ou quantificar. As políticas de austeridade impostas a diversos países, como forma de corrigir o seu défice público, revelaram-se improducentes.

Os seus mentores, a Alemanha nomeadamente Merkel e Schauble, fundamentaram a sua aplicação com os resultados obtidos no passado. A Alemanha já enfrentou uma crise e aplicou uma receita semelhante mas o cenário na altura era outro onde não existia uma crise económica como a que enfrentamos hoje. Logo a fórmula antiga não tem o mesmo efeito no cenário actual onde as variantes são outras. A doença é mais complexa e o remédio deveria ser outro. A austeridade severa e repentina não resultou.

As analogias revelaram-se fatais por terem sido mal interpretadas. Num clima de recessão económica mundial a redução drástica do défice público é um erro nefasto dado que em vez de resolver um problema produz outros. As políticas de austeridade aplicadas no passado deveriam ser devidamente contextualizadas em cenários de expansão económica mundial e nunca em cenários de contração económica mundial. O risco de deflação europeia foi agravado por essas mesmas políticas erradas. Foi uma experiência de laboratório desastrosa imposta a países como Portugal.

O primeiro ministro, Passo Coelho, que seguiu à risca o diktat alemão, aplicou as regras às cegas e foi "para além da troika" corre o risco de ficar com o epíteto de "campeão do cumprimento europeu". O argumento gasto de que as taxas de juro desceram por causa da redução do défice é errado. As taxas de juro descem em conjunto nos países europeus e não reagem isoladamente em função de défices. A França e Itália já vieram dizer "não" ao cumprimento do Tratado Orçamental abaixo dos 3% justificando que, mais importante do que reduzir o défice é colocar o PIB a crescer.

Os "irredutíveis gauleses" mais uma vez voltam a fazer frente às adversidades. Desta vez não são os romanos mas sim o austeritarismo alemão. Panoramix deve estar a preparar a fórmula mágica. E bem que precisava a França e a Europa de uma poção mágica porque a recessão também já está a chegar à Alemanha. A seguir trechos de um texto de Fernando Belo, filósofo, publicado no jornal Público sob o título "A Economia como ciência pragmática".

Um velho texto de António J. Esteves, sociólogo da Universidade do Porto, que evoca as engenharias como "ciências de projecto" de Herbert Simon para incluir nelas a Economia, trouxe-me algo que procurava há vários anos. Segundo ele, "a determinação de 'como as coisas podem ser' e de 'como devem ser' para a realização de determinados objectivos delimita um conjunto de saberes que não se resumem às disciplinas científicas nem à sua 'aplicação'", diz Esteves, o projecto da Economia devendo ser "uma nova política de bem-estar social para um Estado" (H. Simon). Ciência de acção e portanto de mudança, pragmática assim, a sua verdade consistirá na transformação que ela consiga operar nas estruturas sociais sobre que incide, implicando a definição de objectivos.

Era esta descrição que me escapava, modesto fenomenólogo praticante de filosofia com ciências. Sendo uma ciência dos mercados, a Economia é apenas uma ciência social entre outras que a ausência de uma ciência global das sociedades capitalistas levou a ocupar esse lugar, indevidamente por certo mas a apelo do vazio. O seu carácter sectorial implica que os "objectivos" a reconhecer-lhe não dependem exclusivamente dela mas de algo que a ultrapassa: a dupla grande crise que atravessamos, económico-financeira e climática, orienta o nosso olhar para o mais largo objectivo da Economia, a perpetuação da espécie humana, posta em questão por duas questões dramáticas: o enorme desemprego jovem (que futuro daqui a 30 anos?) e as consequências da progressiva alteração dos climas (que futuro daqui a 100 anos?).

Estas duas questões impõem à Economia a consideração da nossa condição biológica como axioma imperativo, se se pode dizer: qualquer animal tem como problemas principais comer e proteger-se de ser comido e a sociedade começa por ser uma forma cooperativa mais económica de enfrentar esses problemas. No que dependa da Economia, há que garantir a alimentação (o "bem-estar social" de que falava Simon, a que chamamos na Europa o Estado social) e a protecção de todos os cidadãos, a nossa liberdade (o Estado de direito). O imperativo estende-se à salvaguarda do planeta que nos dá a vida: a este nível, de que não me ocuparei, o papel da Economia será nomeadamente o de remover obstáculos derivados da arbitariedade da especulação financeira.

Ora, a Biologia oferece também uma espécie de modelo para delinear os objectivos da Economia, à maneira da Medicina. Sabemos hoje que há uma inter-relação entre a determinação genética que diz respeito à reprodução das moléculas de cada célula do organismo e a circulação do sangue (que as alimenta a todas elas), a qual, instável, deve ter uma estabilidade homoestática cujos limiares, máximo e mínimo, são o objectivo médico, a nossa saúde: tensão arterial, seus teores variados (análises de sangue), mormente os de nutrientes e oxigénio. Para o que nos interessa aqui, este imperativo da saúde cifra-se em não comer de mais nem de menos. O que nos tem chocado a todos nesta crise é ver-se a maior parte da população ser despojada mais ou menos brutalmente do que tem para viver, muitos do emprego, outros em parte do salário ou da pensão.

O escândalo é que, aos olhos da Economia, isto parece ser apenas algo de lamentável, nem sequer "imoral": o argumento com que nos enchem os ouvidos é o da ''credibilidade" junto dos grandes capitais especulativos, ditos "mercados" (como se fossem honestas mercearias). Ou seja, este baixar até à miséria de milhões de pessoas e a grande riqueza de poucos milhares não é nada que pareça dizer respeito à Economia enquanto ciência, algo que é deixado como preocupação aos políticos. Nela não há respeito pelos limiares mínimos e máximos da Economia, falta no seu arsenal axiomático o que define os seus objectivos enquanto ciência da "habitação" (oikos, casa).

No entanto, a crise ilustra como proceder na homeostasia social, na estabilidade instável (Prigogine) das conjunturas: garantir os mínimos (o Estado social) - que deverão ir até ao pleno emprego, diminuindo as horas de trabalho de todos para que todos o tenham - e corresponder a essas despesas com impostos (é a social-democracia) sobre a propriedade "privada" (do social), a qual só vale por essa "privação" que lhe dá contexto (ou seja, os impostos são devolução ao social de uma parte do recebido dele). Não sou de Economia nem de qualquer outra área social e percebo a dificuldade imensa de uma ciência económica global e que pretenda domesticar os capitais internacionais. Mas as crises são as sociedades a tornarem-se laboratórios exibindo o que falta às ciências, pedindo para as reformular, se ainda for a tempo. Ou para o que sobrar de espécie humana.

Jean Tirole vence prémio Nobel da Economia 2014

Como domesticar as grandes empresas, era este o título que se podia dar ao novo nobel da economia. Jean Tirole, um francês desconhecido pela maioria, obteve o galardão máximo na categoria de economia. Realizou estudos sobre a forma como evitar o perigo que grandes empresas representam quando assumem monopólios desmezurados no mercado.

Mediante determinadas circunstâncias e estratégias as grandes multinacionais acabam por adquirir uma dimensão tal que eliminam a concorrência conduzindo a situações perigosas para os consumidores gerando excessiva dependência. Para além disso Tirole alerta para o risco que existe quando as empresas atingem uma determinada dimensão, podendo gerar um efeito sistémico e colocar em risco uma economia.

"Too big to fail". Basta ver alguns bancos nos EUA que adquiriram uma dimensão demasiado grande que podem afectar uma economia inteira caso entrem em colapso. Como forma de evitar isso os governos têm necessidade de entrar em cena para resgatar esses bancos. Mas, se calhar, a melhor forma de evitar este cenário seria regular o mercado.

Tirole alerta que cada caso é um caso. O francês trabalhou no MIT e actualmente é professor em Toulouse sendo também conhecido pela forma como fez avançar a ciência económica na análise das questões do poder de mercado. As privatizações de empresas por entidades com posições estratégicas deveria ter uma regulamentação mais específica.
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