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Os grandes devedores do Novo Banco e os lesados do papel comercial

As empresas detidas, ou com participação directa, de Luís Filipe Vieira (LFV) devem cerca de 500 milhões € ao Novo Banco, o mesmo valor que reclamam os lesados do papel comercial ao Novo Banco (NB). As semelhanças são gritantes. É uma enorme coincidência que dá que pensar.

A notícia das gigantescas dívidas de LFV surgiram primeiro em 2014 no Correio da Manhã, muito antes de estoirar o buraco do BES, e foram confirmadas no Expresso em Julho 2015 onde mostra uma lista dos 50 maiores devedores do NB. É caricato mas as empresas de LFV ocupam o top 5 dos maiores devedores do NB e estão a ser acompanhadas pelo Banco de Portugal por serem um risco sério para os rácios do banco.

Os maiores devedores do NB totalizam 10 mil milhões € e são considerados um problema para o BCE, que vai efectuar testes de stress ao NB em Outubro e concluiu que o banco necessita de um aumento de capital. Quanto ainda não se sabe. Os lesados do papel comercial também conseguiram uma providência cautelar que obriga o futuro dono do NB a ser informado da existência do papel comercial.

Os problemas que enfrenta o futuro dono do NB

O futuro dono do NB terá de ter em conta três problemas. Primeiro a existência de uma lista de devedores com risco enorme de incumprimento. Segundo a necessidade de implementar um aumento de capital exigido pelo BCE, o que não será fácil depois do último aumento de capital feito no BES ter reduzido a credibilidade nacional. E finalmente existe o potencial de indemnização aos lesados do papel comercial e outros investidores como é o caso da Goldman Sachs que já tem um processo judicial a correr em Londres, ou outros accionistas do BES que exigem o arresto dos bens dos administradores do BdP.

Mas voltando ao assunto do início, como foi possível um banco nacional conceder empréstimos tão avultados a um só empresário, neste caso LFV, que por acaso é o presidente de um clube de futebol? Atenção porque na lista aparece também o SL Benfica. O valor de crédito concedido pelo BES às empresas de LFV é quase metade da riqueza do homem mais rico do país.

Depois da execução do BES não foi mera coincidência observar a viatura de LFV a sair da garagem da sede do BES, após uma reunião quente com Salgado. O que terá sido dito aí é segredo, mas não deve ser difícil adivinhar. Provavelmente qualquer coisa como a partir de hoje acabou-se a torneira do BES.

Após a execução do BES, com a divisão da instituição em dois bancos, autorizada pelo governador do BdP e legitimada por Mario Draghi do BCE, começaram a surgir as reclamações dos investidores em papel comercial que viram as suas poupanças desaparecer. No fundo estes aforradores, que subscreveram o produto junto dos balcões do BES, estavam a comprar dívida do GES. Foram induzidos a investir num produto que julgavam ser um simples depósito a prazo.

Os apelidados lesados do papel comercial agora exigem que lhes devolvam as poupanças, muitas de uma vida inteira. Primeiro protestaram com o governador do BdP, depois viraram-se para o NB, ocupando várias agências bancárias. Portanto, juntando de um lado os lesados do papel comercial e do outro as dívidas contraídas pelas empresas de LFV, será possível estabelecer um elo de ligação entre estas duas peças de um puzzle complexo?

A pergunta fica no ar e só seguindo o rasto do dinheiro é que é possível obter uma resposta. É possível que possa não ter nada a ver uma coisa com a outra, mas a ironia do destino levou a que o valor de um lado seja bastante semelhante com o outro. Pelo menos uma coisa é certa, o BES de Salgado tomou decisões duvidosas e corre o risco de ser julgado em tribunais nacionais e estrangeiros por crimes financeiros.

O BES foi durante anos a fio o grande financiador da economia e dos poderosos do país. Desde as grandes empresas passando pelas PME's, empresários, clubes de futebol e nem os partidos políticos escaparam. Para conceder enormes quantidades de crédito o banco de Salgado tinha de financiar-se em algum lado, quer seja através de aumentos de capital ou, mais recentemente, pela emissão de papel comercial.

O FMI deve ter lido a lista de devedores do NB e já veio criticar os montantes de crédito concedido a empresários individuais com risco de incumprimento elevado e alguns fizeram investimentos com recurso a crédito bancário sem uso de capitais próprios e com o aval dos bancos, o que é uma prática que põe em causa os rácios de solvabilidade dos bancos.

Dívida líquida das cotadas do PSI20 em 2014



Dívida líquida das empresas que compõem o PSI20 em 2014.


Empresas portuguesas fazem redução de dívida recorde em 2014

Segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal as empresas portuguesas fizeram uma redução da sua dívida num valor recorde em 2104. Houve uma redução de cerca de 19 mil milhões de euros (-7,1%). Coube às PME, que representam uma enorme fatia do sector empresarial nacional, a maior redução.

Desde 2012 que o pico do endividamento das empresas privadas atingiu um pico. A partir daí o nível tem vindo a descer para níveis pré-crise económica de 2008. Também o endividamento dos privados segue o mesmo caminho tendo melhorado ainda mais, ou seja aqui a redução foi maior. Sinais de que empresas e privados têm recorrido menos a empréstimos junto da banca ou o crédito tem sido mais dificultado depois da ajuda da troika.

Total de dívida2013 milh. €2014 milh. €∆ milh. €∆ %
PME153.134140.243-12.891-8,4%
   Micro66.08858.715-7.373-11,2%
   Pequenas41.57638.897-2.679-6,4%
   Médias45.46942.630-2.839-6,2%
Grandes empresas81.54778.497-3.050-3,7%
SGPS não financeiras32.07728.962-3.115-9,7%
TOTAL266.758247.702-19.056-7,1%
AUTOMÓVEIS


AMBIENTE & ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS