
O Royal Bank of Scotland (RBS) veio a público aconselhar aos seus clientes a venda de activos porque estimam uma queda abrupta nos mercados a curto e médio prazo. O banco escocês prevê um "ano de cataclismo" e recomenda que "vendam tudo" pois acredita que "os investidores devem ter medo". Os únicos títulos que o banco escocês aconselha a manter são obrigações de elevada qualidade.
O comunicado refere que "o que está em causa é o retorno do capital e não o retorno sobre o capital". Relativamente às bolsas americanas e europeias espera-se alta volatilidade com correcções entre 10% e 20%. O arranque de ano foi um sinal claro. Mas será apenas o início de uma longa correcção? A queda do preço do petróleo pode "tirar" o tapete a várias empresas londrinas uma vez que tem influência directa nas commodities. O RBS espera que o preço do petróleo caia até aos 16 dólares por barril, e com isso o fantasma da deflacção continua à espreita.
A instabilidade na China com grandes dúvidas quanto à robustez da sua economia vão continuar a ditar regras e a influenciar os mercados mundiais. Para além do RBS também o Morgan Stanley prevê que o petróleo chegue até aos 20 dólares. Este cenário poderá ter muitas semelhanças com o vivido em 2008. O RBS avisa que "o gráfico mais importante do mundo" é o que retrata as saídas de capital da China que, afirma, já terão ascendido a 170 mil milhões de dólares em dezembro. Daí as quedas abrupta na bolsa chinesa.
Mas há outras casas de investimento que são ainda mais pessimistas que o RBS. Por exemplo a Société Générale (SG) acredita que o índice americano S&P 500 afunde 75% interrompendo um longo bull market desde 2009. A visão desta instituição está retratado no documento com o nome "Idade do Gelo". Uma analogia ao período da história do planeta em que as temperaturas desceram drasticamente. O mesmo pode suceder nos mercados devido ao contágio directo da China. A política monetária do governo chinês de baixar o valor da moeda local fará com a deflacção aumente gradualmente a nível global.
A política monetária da FED levou a uma bolha no mercado accionista?
O SG refere que a economia dos EUA não subiu muito significativamente com os estímulos da FED, apenas inflaccionou as avaliações dos activos. A subida recente dos juros pode ter um efeito perverso nos mercados emergentes. A política de estímulos da FED pode ter alimentado uma excessiva confiança nos mercados. O ciclo de bullmarket vivido de 2009 a 2015 apenas interrompeu um período secular de bearmarket que irá ser novamente retomado, salienta o SG. A prudência é a palavra chave aconselhada aos investidores nos mercados accionistas em 2016. Novos mínimos podem estar à espreita que podem superar os de 2009.
Também os mediáticos Marc Faber e George Soros alertam para um "crash" nas bolsas. A JPMorgan também recomenda a venda de activos como acções para antecipar uma crise bolsista que se avizinha. O futuro o dirá.