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Que medidas restam ao BCE para impulsionar a economia da Zona Euro

O BCE encontra-se a cumprir o programa de Quantitative Easying (QE) Europeu com a compra de dívida pública dos paízes da Zona Euro (com excepção da Grécia) e ainda de empresas privadas com rating elegível acima de lixo. Para além disso existem linhas de crédito do BCE destinada aos bancos com taxas de juro negativas, ou seja o BCE paga para emprestar.

O programa de compra de dívida do BCE tem ajudado os países da Zona Euro a financiarem-se a juros baixos. E alguns países até conseguem obter juros negativos, ou seja recebem em vez de pagarem para emitirem dívida soberana. No caso de compra de dívida de empresas privadas, em Portugal só se aplica a três empresas.

Ao colocar as taxas de juro de referência em terreno negativo o BCE tornou o dinheiro mais barato. Mas também com esta medida os bancos são obrigados a pagar caso queiram estacionar o capital no Banco Central Europeu. É uma forma expedita de levar os mesmos bancos a canalizarem o dinheiro para a economia em vez de procurarem obter juros no banco central.

Esta medida tem prejudicado aforradores, fundos de pensões e os próprios bancos comerciais com taxas de depósitos em níveis mínimos históricos. Muitas vozes críticas se têm levantado às taxas de juro Euribor negativas. Não se sabe ainda qual o impacto no médio prazo desta medida.

Euribor segue negativa em (quase) todos os prazos

A Euribor segue negativa nos prazos curtos de 1 e 2 semanas e ainda nos prazos de 1, 2, 3, 6 e 9 meses. Só a 12 meses é que se mantém (ainda) acima de zero mas a tendência é para que também quebre a barreira. Pouco falta para todos os prazos ficarem negativos. Tudo graças à política de estímulos do BCE de procurar facilitar o crédito e estimular a economia.

Quem tem crédito à habitação irá beneficiar da medida já que pagará apenas a amortização e o spread. Não haverá lugar ao pagamento de juros. Nos contratos mais antigos o spread é mais baixo o que equivale a pagar apenas a amortização.

Draghi actualiza o QE da Zona Euro

Draghi anunciou mais medidas de estímulo económico para tentar travar a deflação e prolongou o fim do prazo de compra de activos de 2016 para 2017. Os mercados reagiram mal, com bolsas a tombar, euro e yelds a subirem. Esperavam algo mais?

É perigoso o BCE ir na onda dos mercados. Anunciar mais medidas na próxima reunião só porque os mercados reagiram mal parece ser uma política errada assente em areias movediças, ao sabor de estados de alma. Temos que ver que o fim dos juros baixos nos EUA está a chegar ao fim e quais os impactos na economia mundial?

A compra de títulos de dívida não tem travado o sentido descendente da taxa de inflação, apenas fez descer as yelds. Os cartuchos de Draghi parecem ser de pólvora seca já que por mais bazucas que anuncie se o petróleo continuar a cair a deflação pode tornar-se num cenário inevitável.

QE de Draghi a não surtir efeito?

O BCE revelou na última reunião “desapontamento” com a recuperação na Zona Euro, e mostra que, ao contrário do esperado, o QE não está a ter o resultado desejado. A recuperação está a ser lenta e moderada e a instituição poderá ser obrigada a reformular a política de compra de activos, caso seja necessário.

A taxa de inflação teima em manter-se muito próxima do zero. O baixo preço do petróleo pressionar o programa do BCE de forma indirecta. O caso da Grécia também veio trazer alguma incerteza ao Euro e o abrandamento económico na China pode contagiar negativamente as exportações europeias.

Taxa de inflacção anual na ZE

Activos dos bancos centrais (2007-2015)



Activos dos bancos centrais - BCE, Bank of Japan, Bank of England, National Bank os Switzerland, FED - em milhões de euros entre 2007 e 2015. O programa QE do BCE vai extender-se até 2016, mas poderá prolongar-se caso os objectivos desejados não sejam alcançados.

BCE revê em alta crescimento na Zona Euro

O BCE reviu em alta o crescimento na Zona Euro. No presente ano a economia deverá acelerar 1,5% em vez de 1%. Os recentes dados económicos fizeram o BCE ficar mais optimista.

Para 2016 deverá subir 1,9% em vez de 1,5%. Também divulgou a primeira estimativa para 2017 que deverá ficar em 2,1%. Os preços deverão começar a recuperar gradualmente durante este ano, segundo o BCE.

 anterior previsãoúltima previsão
20151,0%1,5%
20161,5%1,9%
2017 2,1%

Taxa de inflacção na Zona Euro em Janeiro 2015 agrava-se para -0,6%

O Eurostat divulgou a taxa de inflação na Zona Euro no mês de Janeiro do presente ano que agravou-se em terreno negativo. Em Dezembro de 2014 entrou pela primeira vez, desde 2009, em valores negativos ficando nos -0,2% e em Janeiro de 2015 piorou para -0,6% o que coloca o cenário de deflacção mais como uma realidade e não como uma mera hipótese.

A maior queda de preços foi na energia (-8,9%), mas também se registou um recuo em setores como a alimentação, bebidas alcoólicas e tabaco (-0,1%) e para os bens industriais não energéticos (-0,1%). A única subida foi no setor dos serviços (1,0%).

A queda do preço do petróleo, que agora tem rondado os 45 dólares, tem estado a afectar o preço da energia e dos bens. Persistem dúvidas se o programa QE do BCE vai mesmo conseguir inverter o cenário de deflacção.

O QE do BCE não é um QE à americana

O BCE anunciou que vai aplicar a chamada "bazuca" financeira para tentar travar a deflação com uma injecção de 1,1 biliões de euros (equivalente a 60 mil milhões por mês) na economia. O prazo é entre Março de 2015 e Setembro de 2016 mas o BCE poderá prolongar o programa caso os objectivos da inflacção não sejam atingidos.

Os bancos centrais da ZE vão comprar 950 mil milhões de euros de activos que incluem dívida titularizada privada e dívida pública já emitida pelo estado e detida por bancos recorrendo ao mercado secundário. Não é adquirida directamente ao estado. Infelizmente, e ao contrário do que chegou a ser pensado, não inclui compra de dívida de empresas.



Valor que cabe a Portugal poderá ser reduzido

Para Portugal o valor de compra é de 2,5% (correspondente ao valor do peso que tem no BCE, ver gráfico), no entanto o valor poderá ser inferior. Na teoria caberia a Portugal uma fatia de 24 mil milhões de euros mas existem regras que estabelecem que o BCE não pode deter mais de um terço do total dos títulos de dívida emitida por um país (e mais de 25% numa série específica de obrigações) e o banco central já detém 19 mil milhões de dívida portuguesa adquiridos aquando da crise da dívida soberana. Este valor corresponde a 20% de dívida portuguesa, o que resta são, então, apenas 5%. O valor que o BCE irá adquirir poderá ser na realidade 9 mil milhões de euros.

Existe mesmo uma ambiguidade no que foi anunciado dado que se os limites de compra de dívida forem atingidos dentro do prazo (Setembro de 2016) como poderá o BCE prolongar o programa?

Onde ficam os riscos

Na prática serão os bancos centrais de cada país que ficarão a deter 80% do total da dívida. Os restantes 20% ficarão no BCE. Por exemplo se um país entrasse em default o banco central desse país assumiria perdas de 90,9% dos títulos comprados e o BCE 9,1%, ou seja 80% de risco para o banco nacional do respectivo país e 20% do risco para todos os países da ZE (é aqui que a Alemanha torce o nariz). Isto obrigaria o Estado desse país a ter de recapitalizar o banco central nacional.

O conceituado economista cipriota Athanasios Orphanides afirmou que esta medida de repartição dos riscos pode ser considerada ilegal. É como se fosse aceite que o modus operandi na zona euro é o de clarificar as coisas com a Alemanha, com o BCE a limitar as suas acções ao que é melhor para a Alemanha. Esta não é a melhor política para a zona euro e não iria promover uma política monetária única afirmou.

Importante também referir que o acórdão final do Tribunal Europeu acerca da legalidade do programa de compra de dívida pública só sairá em Fevereiro e existe a hipótese de que possa ser chumbado o que inviabilizaria o arranque do QE previsto para Março. Ainda há esta pequena incerteza por esclarecer.

BCE faz chantagem com a Grécia

Uma das permissas do QE estabelece que a dívida pública que será adquirida terá de ter pelo menos uma classificação das agências de rating reconhecidas acima de "lixo". Portugal consegue escapar graças à notação dada pela DBRS. Já a Grécia fica desqualificada pois tem todas as classificações abaixo de lixo. No entanto o BCE abriu uma excepção se o país helénico chegar a um acordo para mais um programa de ajustamento com a troika. O BCE colocou o futuro governo grego num beco sem saída fazendo chantagem. Se o partido radical quiser ver a compra de dívida na Grécia terá de aplicar mais austeridade...Será que o BCE já espera a colocação da Grécia fora da ZE?

Quais os objectivos do programa

No fundo o BCE pretende que a taxa de inflacção suba e que o euro desça beneficiando as exportações europeias. Mas o programa deveria ter, e não tem, outras componentes mais estruturais como é o caso do desemprego e do crescimento económico. O QE dos EUA esteve em campo até que a taxa de desemprego descesse para níveis pré-crise económica e que o PIB subisse consistentemente. Estas são permissas ausentes do programa do BCE.

Se durante a crise económica foi muito frequente os meios de comunicação social censurarem o ouvinte e o leitor ao afirmarem que "vivemos acima das nossas possibilidades", ou seja que gastámos mais do que devíamos agora esta política expansionista pretende precisamente incentivar ao gasto e ao crédito. Uma contradição portanto.

Fala-se muito no problema da inflacção baixa. Mas e se colocarmos a questão ao contrário? A deflacção é mesmo assim tão má para a economia? Ou seja se os preços descem e se os salários se mantêm então o poder de compra aumenta, o que em teoria poderia beneficiar a população em geral e a economia. As empresas de bens é que poderiam ver os seus lucros a diminuir. Uma inflacção excessiva pode ser prejudicial e a Alemanha sabe bem disso depois do que se passou a seguir à segunda grande guerra mundial.

Porque é que existem dúvidas sobre a eficácia do programa

Com a compra de dívida detida pelos bancos estes ficam com maior liquidez para colocarem capital na economia financiando empresas e famílias. No entanto a banca já dispunha de liquidez para injectar na economia mas não o tem conseguido fazer devido às taxas de juro que praticam e/ou à pouca procura que se tem verificado por isso a eficácia deste plano não é um dado adquirido.

Com os números elevados de insolvências de empresas e famílias os agentes económicos têm preferido pedir menos empréstimos à banca. Por outro lado os balanços negativos da banca também ainda não foram totalmente limpos. O break-even ainda não se deu daí que a banca esteja relutante em conceder mais crédito fácil a empresas demasiado endividadas ou a famílias com parcos rendimentos, correndo o risco de contrair mais imparidades. O fantasma do subprime ainda está fresco na memória da banca que terá um papel decisivo a ditar o sucesso ou insucesso do QE anunciado pelo BCE.

Banca vê poucas vantagens no QE

Os bancos nacionais poderão não ter vantagem ao venderem a dívida pública que detêm já que era preferível esperarem pelas maturidades para obterem mais valias. Por outro lado também existe o risco de contraírem mais imparidades ao aumentarem a concessão de crédto na economia.

BCE exige, em troca, que os governos cumpram o pacto orçamental

"As políticas orçamentais devem apoiar a recuperação económica, ao mesmo tempo que asseguram a sustentabilidade da dívida em conformidade com o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que permanece uma âncora para a confiança", referiu Draghi. Esta foi a maneira do BCE responder às exigências alemãs. "Seria um grande erro se os países considerassem que a presença deste programa como um incentivo para a expansão orçamental", sublinhou.

Quais as consequências práticas do QE anunciado

Na prática a taxa euribor vai manter-se baixa o que é bom para quem tem crédito à habitação. As taxas de juro das obrigações também vão continuar em mínimos beneficiando o financiamento do estado e obrigando a menos austeridade. Já os depósitos bancários permanecerão pouco atractivos com taxas baixas. Se o programa resultar os preços subirão, mas isso é uma hipótese difícil de assegurar. Também as bolsas poderão sofrer um "estímulo" fazendo aumentar as mais valias. Mas esta também é outra hipótese que tem um risco.

As remessas de imigrantes a trabalhar no estrangeiro serão afectadas já que o euro ficará mais barato. As exportações beneficiarão com o euro mais baixo. Os países europeus também atrairão mais turistas fora da ZE com a moeda mais barata. Por outro lado viajar para fora da ZE ficará mais caro (isto dependendo do destino). No que toca ao imobiliário é expectável que o valor das casas suba face a uma maior procura.

Restam mais armas ao BCE para combater a deflacção?

Por tudo isto exposto conclui-se que o programa QE do BCE é um pouco distinto dos programas de estímulo aplicados nos EUA, Reino Unido e Japão. Se o QE não resultar, e a economia não é uma ciência exacta como sabemos, restarão poucas soluções ao BCE. Ao invés de recorrer a expedientes artificiais terá de ser a própria economia a responder por si mesma, ou seja o desemprego a cair, o investimento a aumentar e o PIB a subir.

Basta ver que o Japão aplicou um QE mas que teve um efeito temporário dado que o país nipónico voltou a entrar em recessão. O cenário de crescimento na ZE parece enfrentar resistência no austeritarismo do norte da Europa. Uma outra possibilidade, nunca antes testada, seria emprestar capital aos Estados e entregar dinheiro às pessoas. Um cenário utópico e pouco provável que aconteça mas que traria frutos imediatos.

No fundo o que este plano faz é nacionalizar os riscos da dívida dos estados e mutualiza os lucros. Ou seja a única coisa que altera nesta parcela é mudar as mãos de credores que passam a ser os bancos centrais nacionais. Quanto ao stock da dívia, esse, permanece o mesmo sem alterações. O QE do BCE não é um QE à americana porque o risco fica nos bancos centrais de cada país e a única entidade que pode criar euros é o BCE, ao passo que tanto EUA, Japão como Reino Unido têm liberdade para imprimir dinheiro à vontade. E aqui reside a grande diferença.

E se o "QE" do BCE não resultar?

As políticas de estímulos mais agressivas do BCE, que estão previstas para 2015, podem não surtir efeito se o dinheiro não chegar à economia real - empresas e famílias. E deste ponto de vista a economia não crescerá como o desejado e a deflação será um cenário a considerar. O fantasma das insolvências assustou tudo e todos e agora muitos recusam-se a contraírem mais empréstimos, que é aquilo que o BCE deseja.

Na Alemanha a inflacção também já está no valor mais baixo dos últimos cinco anos. Chegou mais tarde mas, tal como no resto da zona euro, os preços na Alemanha já estão perto da estagnação. O debate entre os economistas defensores de um QE e os não defensores está cerrado até porque não é linear quais as consequências que terão no futuro. E o pior é que depois desta cartada o BCE corre o risco de ficar sem mais munições. Para além disso o fantasma do petróleo barato regressou para ameaçar a inflacção.

Se por um lado a queda do petróleo pode estimular a economia, por outro pode também potenciar a deflacção. Aliás na primeira estimativa a taxa de inflacção na Zona Euro já entrou em terreno negativo no último mês de 2014 muito devido à queda do preço da energia. Entretanto o BCE está a estudar três hipóteses de compra de dívida pública, um pouco diferente do QE americano. A saber:
1 - compra de dívida publica de acordo com a dimensão das economias ficando o registo no balanço do BCE (assunção total do risco);
2 - ou ficar no balanço dos bancos centrais nacionais (repartição de risco entre BCE e estados membros);
3 - compra de títulos apenas com rating máximo (pouco provável dado que são poucos os países que detêm o rating máximo)
A próxima reunião do BCE é já no dia 22 onde poderá ser anunciado qual o plano a adoptar, no entanto as eleições na Grécia no dia 25 podem fazer adiar a tomada de decisão para a próxima reunião.

BCE decide em 2015 se avança ou não para a compra de dívida pública

Nos primeiros meses de 2015 o BCE vai decidir se avança ou não para a compra de títulos de dívida pública para evitar a deflacção. Foi Vítor Constâncio, agora no BCE, que o afirmou como forma de dar mais robustez ao programa de estímulos à economia. Mas ainda não há certezas. Os dados económicos do primeiro trimestre de 2015 da Zona Euro serão decisivos para eliminar dúvidas.

Draghi terá ainda de enfrentar a resistência alemã a este tipo de medida. O argumento de Draghi para justificar a adopção de um programa QE do género americano reside no objectivo de evitar a deflacção da Zona Euro como um conjunto e não para ajudar algum país em concreto. Ou seja a compra é feita em todos os países de modo proporcional. Certo é que, como consequência destas afirmações, os juros da dívida pública voltaram a cair renovando o mínimo histórico.

Bolsas ao sabor dos bancos centrais

Primeiro foi o Japão, depois os EUA e a Inglaterra a implementarem programas de estímulo económico com a mexida nas taxas de juro e a compra de títulos de dívida. Agora Draghi anuncia que existe a hipótese do BCE avançar com a compra de títulos de dívida soberana. Será que é desta que o presidente do banco central europeu vai colocar as rotativas a funcionar?

A medida já tinha sido admitida durante a última reunião mensal sobre a política de juros, mas foi repetida por Draghi no parlamento europeu. O anúncio impulsionou as bolsas europeias. As bolsas dos EUA e do Japão têm vivido um bull market muito à custa do dinheiro que os bancos centrais têm injectado na economia, sendo que os índices americanos continuam a bater sucessivos recordes.

O fim da compra de dívida pela Fed abre a porta à incerteza nos mercados, mas para evitar a volatilidade as taxas de juro americanas irão permanecer baixas. A aplicação de um programa QE semelhante na Zona Euro também poderá ter influência nas bolsas europeias ao impulsionar os índices mas a entrada em recessão da economia japonesa levanta dúvidas quanto ao fundamento para futuras subidas.

É que se as medidas de estímulo não tiverem um efeito prático na economia, ou seja se o desemprego não descer para níveis aceitáveis, se a inflacção e o PIB não subirem, não haverá muita correspondência com um bull market. E então aí os cartuchos do banco central europeu para combater a crise económica começam a esgotar-se.

O programa QE de compra de activos nos EUA tem sido alvo de discussão por parte de vários economistas. Há quem seja a favor e quem seja contra. Foi a maior experiência económica alguma vez realizada e não se sabe quais as consequências num futuro próximo. Os críticos temem que a Fed não consiga gerir o regresso ao mercado da dívida americana que agora detém.

Discurso de Draghi decepciona mercados?

A reunião de 6 de Novembro do BCE era aguardada com alguma expectativa pelos mercados. As bolsas europeias chegaram a estar toda a manhã a subir bem. O PSI20 quase tocou os 2% de valorização diária mas depois do discurso de Draghi, à tarde, o índice nacional inverteu e recuou para uma subida ligeira de 0.53%.

Apesar de Draghi voltar a repetir que fará tudo o que for necessário para manter a economia da Zona Euro estável (como em 2012), desta vez referiu (ou obrigaram-no a dizer?) que novas medidas de estímulos - por exemplo um QE que os alemães tanto querem evitar - só se forem acompanhadas de mais reformas dos países da Zona Euro. Ora isto pode ser entendido que a austeridade é para continuar?

As compras que o BCE começou a efectuar na Zona Euro







O BCE começou a efectuar a compra de obrigações hipotecárias e activos titularizados na Zona Euro. Só em Portugal o valor total pode chegar aos 68.699 milhões de euros.

Onde aconteceram os chumbos nos testes stress do BCE

Dos 130 bancos analisados pelo BCE, 25 chumbaram nos exames que incluiram avaliação da qualidade dos ativos e testes de resistência em cenários adversos. Existe uma falha de capital de cerca de 25 mil milhões de euros na Zona Euro. Mas como estes testes referem-se ao balanço de 2013, se os testes fossem feitos agora (2014) alguns deles já passariam dado que aumentaram o capital no presente ano. A Itália foi o país mais castigado.

Itália - 9
Grécia - 3
Chipre - 3
Bélgica - 2
Eslovénia - 2
Irlanda - 2
Alemanha - 1
França - 1
Portugal - 1
Áustria - 1

No caso nacional BPI e CGS passaram enquanto que o BCP chumbou, mas como já reforçou o capital não necessita de mais medidas.

Documento preliminar do BCE anuncia 25 chumbos nos testes de stress da banca europeia

A Bloomberg teve acesso a um documento preliminar antes do anúncio dos resultados dos testes de stress da banca europeia efectuado pelo BCE. Dos total de 130 bancos europeus, 25 não passaram no exame, o que representa 32%.

Deste conjunto 15 bancos já terão conseguido reforçar os seus rácios de capital em 2014, no entanto 10 terão um prazo de seis ou nove meses para se preencher quaisquer falhas de capital. O rácio de capital Common Equity Tier 1" (CET1) mínimo exigido pelo BCE é de 8% no cenário base e de 5,5% no cenário adverso. Os resultados dos testes de stress da banca serão divulgados oficialmente dia 26 de Outubro à tarde.

BCE estará a comprar dívida de bancos europeus para passarem nos testes de stress?

Estará o BCE a comprar dívida de bancos europeus para passarem nos testes de stress? Uma pergunta pertinente já que o BCE começou a adquirir dívida dos bancos europeus como forma de estimular a economia dando aos bancos mais meios para concederem créditos, mas que coincide precisamente com o período dos testes de stress.

Poderá ser uma maneira de facilitar o "exame" e aliviar os rácios de capital. Os resultados serão divulgados neste domingo, 26 de Outubro.

As medidas anunciadas pelo BCE em Setembro de 2014

O BCE já anda há bastante tempo a baixar a taxa de juro de referência, que anda muito próximo de zero, como forma de estimular a economia. Mas em Setembro anunciou novas medidas não convencionais para combater o risco de deflacção e que muitos economistas e analistas duvidam da sua eficácia. Quais as medidas anunciadas?

As TLTRO (Target LTRO) consiste numa injecção de liquidez na banca com o único objectivo de fornecer crédito às empresas e famílias. O problema é que o valor previsto pelo BCE ficou aquém do pensado pois nem todos os bancos solicitaram o capital isto porque ainda prosseguem um processo de limpeza de balanços e, muito provavelmente, aguardam pelos testes de stress. Os bancos mostram-se cautelosos na concessão de crédito depois da crise que ocorreu, com enormes imparidades e provisões. Por outro lado as empresas e famílias não procuram tanto crédito como antes de 2008 para não se endividarem em demasia.

A aquisição de ABS (asset backed securities), ou seja compra de títulos de dívida de empresas titularizadas consiste no crédito concedido ao sector privado não financeiro e que foram emitidas por empresas residentes na zona euro mas que necessitam de ter um rating mínimo elegível. O pacote pode incluir a compra de ABS detidos pelos bancos nas suas carteiras que representam mais de metade do mercado de ABS europeu.

A aquisição de covered bonds, ou seja obrigações garantidas por hipotecas ou créditos ao sector público. Todas estas medidas representam compra de activos junto de privados e nunca ao sector público. Aqui reside a grande diferença entre o programa do BCE e da FED (banco central americano). O Quantitative Easing (QE) americano incluiu a compra de títulos de dívida soberana ou seja do sector público.

O programa de estímulos económicos do BCE não é um QE à americana e isso levanta muitas dúvidas a analistas e economistas quanto à sua eficácia e impacto no mercado financeiro. Talvez as medidas só surtirão efeito no médio e longo prazo.

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